sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Muro das Favelas no Rio de Janeiro

O suposto pretexto de preservação do ambiente mascara a brutal segregação entre pobres e ricos --ainda que de maneira pobre àqueles que têm um olhar social mais apurado. São R$ 40 milhões em muros.

O Saramago não viaja quando compara a situação a da Palestina. Porque as favelas são sim, a nossa Palestina, ligeiramente adaptada à nossa cultura, é claro. E não apenas as favelas do Rio, que fazem os ricos de Rolex de lá terem diarréia só porque estão muito perto: as favelas do Brasil inteiro --a diferença é que, em um plano nacional, isto é, nos principais conglomerados urbanos exceto o Rio, elas estão mais afastadas dos bairros centrais, portanto, não estão a olho nu. Mas elas estão em todas as cidades.

Não precisa ser muito esperto ou muito populista para sacar que esses quarenta milhões de reais poderiam ser investidos em melhorias para essa população e, por consequencia, para o próprio ambiente.

De qualquer forma, é um dinheiro que vai pros anéis de Saturno e para a draconiana guerra social que os abastados brasileiros insistem em alimentar.

Aposto que os traficantes, na primeira oportunidade que tiverem, vão estourar esses blocos de insensatez, pura e simples insensatez, rebocada de concreto.

Sobre o motivo

Por que criar um blog, em meio a tantas palavras e tantos pensamentos rotos, aleatórios, conteúdos sem qualquer interesse ou fundamento? O que eu quero? É uma pergunta oceânica, esse lance de querer, porque, diferentemente de como nos ensinaram, nem sempre é poder, embora, na maioria das vezes, seja. E assim vamos indo, e assim vamos indo.

Não desejo nenhuma projeção intelectual, moral, psicológica. Tampouco acho que mereça congratulações e reconhecimento pelo alter-ego internáutico, supervalorizado nessa era.

Mas a minha desfaçatez e crítica não são, exatamente, em relação ao espírito contemporâneo, apenas. Desde que matamos Deus, desejamos ser alguma coisa. Não apenas estar no mundo, contudo; não basta. Fazemos passeatas, seguimos correntes, destruímos tudo isso, almejamos cargos, superpovoamos o mundo. E precisamos deixar alguma coisa, ainda que saibamos, brevemente, que isso, no final das contas, não valerá porra nenhuma. Repito: porra nenhuma. Ainda assim, nos iludimos na etérea promessa de que temos que deixar qualquer tipo de chancela existencial. Porque, nesse momento, somos semideuses em busca de reflexos perfeitos, entre aquilo que Kundera ponderara como kitsch --a estação intermediária entre o Ser e o Esquecimento. E isso, embora tenha todas as tonalidades de imbecilidade, nas nuances mais densas ou nas mais diluídas, é humano. Demasiado humano.

Eu quero tecer reflexões. Quero analisar a minha vida e o mundo. Sempre fui assim, só me faltava um pouco de espaço, e isso, durante um tempo, foi sufocante. Foi uma autoflagelação indigna. Mas aí. Estou de volta. Olhando para mim mesma, e buscando meu reflexo que, tanto sei como assumo, é imperfeição.

Se não deu pra sacar, prometo que, volta e meia, postarei figurinhas.